• Veronica Machado

O que é patrimônio documental?

As histórias não se constroem pelo documento, mas a partir dele.


Montagem com fragmentos de diversas tipologias de documentos: inventário, fotografia, carta, planta baixa de arquitetura etc. Material extraído de acervos públicos para pesquisa sobre a Casa do Barão de Vassouras, projeto de restauração do PAC Cidades Históricas.


“Os documentos de arquivo não são representações da memória coletiva, e as instituições arquivísticas não são depósitos de memória coletiva. Ao contrário, os arquivos são fontes para a potencial descoberta ou recuperação de memórias que haviam sido perdidas. Uma vantagem particular que os arquivos possuem enquanto veículos de memória coletiva (além de sua persistência) é que eles podem permanecer insuspeitados e imperturbáveis enquanto as memórias individuais se esvaem, enquanto a memória coletiva é reconfigurada, ou até mesmo enquanto existem esforços conscientes de se apagar a memória. (HEDSTROM, M. Arquivos e Memória coletiva, 2016).

A vinda da família real para o Brasil, em 1808, com toda bagagem de documentos e objetos impulsionou a construção de lugares de memória e guarda da documentação europeia. Este movimento propiciou também a constituição de uma administração pública com mais rigor, controle e método nos estados brasileiros. Neste sentido, nas primeiras décadas do século XIX, vimos o surgimento das primeiras escolas de ensino superior, a Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica no Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Academia Militar, Academia de Belas Artes, Imprensa Régia e etc.


A Imprensa Régia foi responsável pela abertura de diversos periódicos que representam, hoje, uma fonte inesgotável de assuntos que circulavam no Brasil naquela época. Através das matérias, anúncios, informes publicados nesses jornais temos a oportunidade de ler como o tempo foi vivenciado por alguns segmentos sociais de determinado âmbito sociocultural.


A Impressão Régia, única tipografia existente no Rio de Janeiro até a independência, além de imprimir a legislação produzida, fabricar livros em branco para escrituração, encadernar impressos e prover todas as necessidades do ofício de livreiro, também editava livros. Entre as primeiras décadas circulavam mais de 100 títulos de jornais diferentes em todo Brasil (número que se refere aos que estão preservados nas instituições de guarda como a Hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).

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